Vinhos LARANJAS

Afinal, o que é um vinho de laranja?

Não, não são vinhos feitos com laranjas. Resumidamente, o vinho laranja é um vinho branco (feito de uvas brancas), fermentado com as cascas (como os tintos).



Qual a diferença de fermentar as uvas com ou sem casca?

Vamos lembrar como são feitos os vinhos brancos e tintos. No caso dos vinhos brancos, as uvas são esmagadas e fermenta-se somente a polpa, descartando-se as cascas. Já na elaboração dos vinhos tintos, as uvas são esmagadas e fermentadas juntamente com as cascas, afinal, toda a cor do vinho tinto vem da casca da uva. Sendo assim, por que, então, não fermentar as uvas brancas também com as cascas? Porque a casca das uvas brancas não tem cor para passar ao vinho e, ainda, pode levar ao vinho notas indesejadas, como amargor excessivo, por exemplo.


Podemos fazer vinho laranja com qualquer uva?

Na teoria sim, desde que fermente o vinho com as cascas. Na prática, como algumas uvas brancas têm mais pigmentação de cor em suas cascas, são mais indicadas para este tipo de vinho. Desta forma, quando fermentamos a polpa, junto com as cascas e sementes da uva, o produto resultante tem tonalidade alaranjada. A seguir algumas das uvas utilizadas na elaboração de vinhos laranjas: Ribolla Gialla (podemos afirmar que é a principal uva para vinhos laranjas), Friulano, Pinot Grigio, Vermentino, Moscato, Moscatel de Alejandria, Malvasia, Godello, entre muitas outras.



Como se faz? Desde quando? Quem e Onde começou?

O processo de elaboração do laranja é mais lento e requer muita paciência. As uvas são esmagadas e ficam curtindo com as cascas. A fermentação ocorre, normalmente, de forma natural (leveduras selvagens) durante semanas ou meses, dependendo da qualidade que se quer no produto final.

Este processo de elaboração de vinhos ressurgiu a pouco mais de 20 anos mas, na verdade, é um resgate ancestral deste processo, que tem suas origens a 5.000 anos no Cáucaso (atual Geórgia), onde os vinhos fermentavam em grandes vasos subterrâneos chamados Qvevri, que eram fechados com pedras e selados com cera de abelha.

O termo ‘vinho laranja’ foi criado por um importador de vinho britânico, chamado David Harvey. Ele o usou para descrever este estilo não intervencionista de vinificação branca e o nome ‘pegou’.

Não podemos falar de vinhos laranjas sem citarmos quem trouxe à tona essa metodologia ancestral de vinificação georgiana, o renomado enólogo Josko Gravner, na região italiana do Friuli. Gravner elaborava de forma tradicional alguns dos melhores vinhos brancos da Itália, quando decidiu mudar completamente o rumo e ir em busca de reencontrar a essência da arte da vinificação perdida no tempo. Optou pela vinificação em ânforas de terracota (barro) trazidas da Geórgia, para amplificar a pureza de seus vinhos. O enorme sucesso demorou a chegar mas, hoje, seus vinhos são disputados por conhecedores em todo o mundo.


Quais são os principais países produtores?

Os vinhos laranjas estão cada vez mais presentes no mercado. Um verdadeiro séquito de enólogos apaixonados seguiu Gravner e elaboram ótimos vinhos laranjas em diversos países ao redor do mundo. Os destaques ficam para os países abaixo:

ITÁLIA: principais vinhos são elaborados no nordeste do país, nas regiões do Friuli e Venezia-Guilia;

ESLOVÊNIA: logo depois da fronteira de Friuli-Venezia Giulia, na Itália, fica a região de Goriška Brda, que tem uma longa história de vinificação de laranja;

GEÓRGIA: os antigos tanques de fermentação georgianos são chamados de Kvevri e são, normalmente, enterrados no solo para controlar a temperatura. Os mais antigos já descobertos datam de 6.000 a.c.;

FRANÇA: a região do Jura, a leste da Borgonha, produz vinhos ricos em tons de laranja, chamados Vin Jaune e Côtes du Jura, que usam o estilo oxidativo de vinificação com uma uva rara chamada Savagnin (e às vezes Chardonnay).


Degustação. O que esperar de um vinho laranja?

A cor dos vinhos laranjas vão do alaranjado clara ao âmbar. São descritos como robustos, de complexidade aromática ímpar. Tipicamente revelam aromas florais, de cítricos confitados, jaca, avelã, castanhas, frutas secas, maçã machucada, cogumelos, verniz de madeira, óleo de linhaça, zimbro, massa azeda, casca de laranja seca e normalmente trazem grande mineralidade. No paladar, são muito intensos, encorpados, secos, ácidos e têm até taninos, como os de um vinho tinto.



Harmonização

À mesa, os vinhos laranjas fazem o papel de um grande vinho branco, acompanhando bem peixes, frutos do mar e crustáceos, em diversos tipos de cocção e preparo. Por outro lado, devido ao alto teor fenólico (taninos e amargor) e acidez sempre marcante, os vinhos laranja também fazem as vezes de um bom vinho tinto, escoltando com perfeição carnes intensas como a de cordeiro. Portanto, podemos ousar nas harmonizações com os vinhos laranjas. Eles vão combinar bem com pratos a base de curry, com cozinha marroquina, com pratos coreanos com kimchi fermentado e é ótimo com cozinha tradicional japonesa (incluindo molho shoyu).


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